Plantas secas do Cerrado movem cadeia produtiva que alia renda familiar, tradição cultural e novos mercados
- Elias Fernandes

- há 3 dias
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Um estudo internacional publicado na revista Ethnobotany and Economic Botany, realizado por pesquisadores do Centro de Conhecimento em Biodiversidade (Biodiv) e outras instituições do Brasil e Estados Unidos, revela que a cadeia de plantas secas decorativas do Cerrado continua ativa e vital para comunidades tradicionais da Cadeia do Espinhaço, localizadas entre Minas Gerais e a Bahia. Mesmo com a queda nas exportações desde os anos 1970, a colheita garante a subsistência de famílias de baixa renda na região.
O trabalho focou nas populações que habitam vilarejos rurais e distritos de municípios mineiros como Diamantina, Datas e Gouveia. Nesses locais rurais, os apanhadores de flores dependem diretamente do extrativismo nos ecossistemas de Campos Rupestres. Ao mapear o setor na última década por meio de estatísticas oficiais e de entrevistas com 67 trabalhadores, a pesquisa constatou uma forte transformação no mercado. Embora o comércio global antigo tenha encolhido, as vendas nacionais e o ambiente online surgem agora como novas rotas de sobrevivência.
Baixa renda e concorrência artificial
Embora a coleta seja a principal fonte de sustento para 38,5% dos entrevistados, 57,1% deles revelaram ganhar menos que um salário mínimo. A maioria dos profissionais trabalha no setor há mais de 20 anos, o que demonstra um conhecimento tradicional profundo repassado oralmente entre as gerações.
O desinteresse dos jovens pela atividade, no entanto, cresceu devido ao baixo retorno financeiro, à urbanização e às restrições de leis ambientais mais rígidas. O setor também enfrenta a concorrência avassaladora das importações de plantas artificiais de plástico, que crescem de forma contínua no Brasil desde 1994, apontam os pesquisadores.
As exportações brasileiras de flores secas e botões atingiram o pico histórico em 1979, registrando 880 toneladas. Atualmente, o mercado internacional estabilizou em níveis mínimos, pressionado também pela forte concorrência de outros países produtores, como a Índia.
Tecnologia e associativismo como soluções
Por outro lado, o avanço das vendas online e das ferramentas digitais permitiu o comércio direto entre os coletores rurais e os consumidores finais. Essa mudança reduziu a dependência histórica de atravessadores e ajudou a valorizar os preços pagos na base da cadeia produtiva.
Para os pesquisadores, o futuro sustentável da atividade depende de investimentos em inovação e de políticas públicas direcionadas. O fortalecimento de associações comunitárias é apontado como vital para organizar o manejo ecológico correto e coibir a coleta predatória nos campos.
Além do extrativismo, o estímulo ao cultivo experimental de espécies ameaçadas, como as sempre-vivas, surge como uma rota ecológica promissora. A estratégia serve como alternativa de desenvolvimento justo frente à devastação do Cerrado pela agropecuária intensiva e pela mineração.









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