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Não basta plantar: solo é o fator decisivo para o sucesso da restauração no campo rupestre, aponta estudo

Serra do Espinhaço. Foto: reprodução/Governo de Minas Gerais
Serra do Espinhaço. Foto: reprodução/Governo de Minas Gerais

Um estudo conduzido por pesquisadores do Centro de Conhecimento em Biodiversidade (Biodiv), da Florida International University (EUA), das universidades federais de Minas Gerais (UFMG) e Ouro Preto (UFOP), e da New York University revelou que o sucesso da restauração de campo rupestre depende, diretamente, das características do solo. Publicada na conceituada revista Annals of Botany, a pesquisa mostra que o solo funciona como um filtro natural para a sobrevivência das espécies.


Os pesquisadores constataram que não existe uma fórmula única para recuperar essa vegetação na Serra do Espinhaço, localizada nos estados de Minas Gerais e Bahia. Enquanto áreas com mais água e nutrientes favorecem plantas de crescimento relativamente mais rápido, os ambientes mais secos e pobres demandam espécies altamente resistentes e adaptadas à severa escassez local.


Impacto humano e novas metas de conservação


A pesquisa analisou 111 espécies de plantas em 120 parcelas divididas entre afloramentos rochosos, campos pedregosos, arenosos e turfeiras. A coleta de dados ocorreu em áreas da Reserva Vellozia, em Santana do Riacho (MG), e no Parque Estadual da Serra do Intendente, em Conceição do Mato Dentro (MG).


O estudo serve de alerta contra a aplicação de uma mesma lógica de manejo em habitats distintos, um erro técnico que frequentemente leva projetos de revegetação ao fracasso e à homogeneização do ambiente. O estudo identificou, por exemplo, que espécies arbustivas como Lychnocephalus mellobarretoi e Coccoloba cereifera são estritamente associadas a solos de baixa fertilidade, enquanto a Lavoisiera imbricata prefere o ambiente relativamente mais fértil das turfeiras.


Além disso, distúrbios provocados por mineração, estradas e pastagens alteram quimicamente o solo, ao elevar artificialmente a disponibilidade de nutrientes, abrindo espaço para a invasão perigosa de espécies exóticas. Diante disso, os autores propõem que os conservacionistas definam metas baseadas nas condições reais de cada local, garantindo a reconstrução precisa da biodiversidade original.


Os pesquisadores também analisaram traços funcionais das plantas, características ligadas a crescimento, resistência ao estresse e uso de recursos, para entender quais estratégias ecológicas permitem que diferentes espécies sobrevivam em cada ambiente. Como estratégia inovadora de manejo, os cientistas sugerem introduzir primeiro plantas nativas que tenham comportamento de crescimento rápido para suprimir as invasoras por exclusão competitiva, o que irá facilitar o posterior restabelecimento da vegetação nativa de crescimento lento.

centro de conhecimento em biodiversidade
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