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Parceria sino-brasileira estuda efeitos das mudanças climáticas na biodiversidade de montanhas chinesas

Foto: Geraldo Fernandes
Foto: Geraldo Fernandes

O Centro de Conhecimento em Biodiversidade e a Henan Agricultural University visitaram oficialmente a Reserva da Biosfera de Baotianman, na China, para conhecer as estruturas e pesquisas avançadas do sequestro de carbono atmosférico e alinhar os primeiros passos para uma colaboração científica.


A iniciativa contou com a participação dos pesquisadores brasileiros Geraldo Fernandes, coordenador do Centro de Conhecimento em Biodiversidade, e Yumi Oki (UFMG), enquanto do lado chinês estiveram presentes pela Henan Agricultural University, o diretor professor Yuan Zhiliang e a cientista Liu Fengqin. Em conjunto com o diretor e pesquisadores da Reserva Baotianman, as equipes buscam conectar o preciso monitoramento de campo chinês às medidas de atributos funcionais das plantas.


Enquanto o centro brasileiro se destaca como co-desenvolvedor de uma metodologia de avaliação de biodiversidade aplicável globalmente, a Henan Agricultural University e a Reserva Natural Nacional de Baotianman acumulam décadas de dados de monitoramento na região montanhosa de Funiu. A união dessas bases de dados pretende acelerar a compreensão de como as mudanças climáticas afetam compartimentos vitais dos ecossistemas, investigando detalhadamente a dinâmica entre o solo, as plantas, os animais e os microrganismos que neles vivem.


Refúgio ecológico e tecnologia de ponta


O cenário escolhido para a cooperação é altamente estratégico. A Reserva de Baotianman está localizada em uma zona de transição climática entre as regiões subtropical do norte e temperada quente do sul, protegendo ecossistemas florestais únicos na China Central.

A área é reconhecida como um verdadeiro “Tesouro de Espécies Naturais” e serve de laboratório natural para estudos de evolução, ecologia e conservação. Ela abriga mais de 3 mil espécies de plantas, centenas de vertebrados e milhares de insetos, com destaque para uma impressionante riqueza de borboletas e libélulas.


As montanhas de Funiu, com altitudes que variam entre 600 e 1.830 metros, apresentam relevos, solos e sistemas hídricos muito diversos. Essa rica variedade geográfica é o que favorece uma biodiversidade tão extraordinária, fornecendo dados históricos valiosos que agora serão cruzados com dados brasileiros.


Monitoramento no solo e na atmosfera


Durante as incursões de campo, a delegação brasileira pôde acompanhar de perto o rigor metodológico dos pesquisadores chineses na análise do sequestro de carbono. O processo é considerado central para a mitigação do aquecimento global e para a manutenção da vida no planeta.


O grupo visitou experimentos reconhecidos pela sua qualidade, conheceu os equipamentos de campo e o funcionamento de torres de monitoramento que medem o fluxo de carbono diretamente na atmosfera. A grande expectativa da parceria sino-brasileira é que essa troca científica traga um olhar complementar aos estudos de Baotianman. Ao integrar a dinâmica física do carbono às complexas interações ecológicas e ao desenvolvimento das plantas, os cientistas esperam prever, com maior precisão, o comportamento das florestas do futuro diante do aquecimento global.


Fotos: reprodução

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