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Terceiro dia do VIII Simamca é marcado por alertas sobre “restauração de faz de conta” e colapso climático no campo

Professor Geraldo Fernandes apresentou a Blue List. Foto: Elias Fernandes
Professor Geraldo Fernandes apresentou a Blue List. Foto: Elias Fernandes

O terceiro dia do VIII Simpósio da Amazônia Meridional em Ciências Ambientais (Simamca), realizado na sexta-feira (12/06), em Sinop (MT), foi marcado pelo debate interdisciplinar sobre a sustentabilidade na região. Reunindo pesquisadores, estudantes e demais interessados no Centro de Eventos Dante Martins de Oliveira, as atividades do dia articularam o uso de tecnologias geoespaciais, estratégias de restauração florestal e os impactos climáticos na transição para o Cerrado.


O evento, um dos principais fóruns científicos da região norte de Mato Grosso, integrar a formação prática à pesquisa de ponta. As atividades se dividiram em grandes blocos temáticos que englobaram a capacitação técnica de estudantes, a apresentação de conferências magnas e painéis de debate sobre o futuro do desenvolvimento regional.


Ciclo de palestras aborda monitoramento e impacto climático


As palestras do período vespertino trouxeram dados técnicos e soluções práticas para a conservação ambiental. A pesquisadora Mônica Aparecida Cupertino Eisenlohr, representante do Instituto Centro de Vida (ICV), apresentou as aplicações de drones e ferramentas geoespaciais no monitoramento de biomas, abrindo o bloco focado em inovação tecnológica aplicada às ciências ambientais.


Em sua fala, Geraldo Wilson Afonso Fernandes (UFMG), coordenador-geral do Centro de Conhecimento em Biodiversidade (Biodiv), criticou a atual “restauração de faz de conta”, focada apenas em carbono e geradora de “florestas vazias”. Baseado em estudos na bacia do Rio Doce, após o desastre de Mariana, onde a flora varia drasticamente ao longo do leito, o pesquisador apresentou a iniciativa Blue List. O protocolo científico utiliza inteligência artificial, DNA ambiental e traços funcionais para gerar listas precisas de espécies por coordenadas geográficas, metodologia que já está em expansão internacional para a restauração do Rio Amarelo, na China.


No fim do dia, impactos climáticos regionais foram detalhados pelo pesquisador Ben Hur Marimon Júnior (Unemat), que alertou para o prolongamento drástico da estação seca em Mato Grosso, projetada para atingir 83 dias de extensão no biênio 2025/2026. O pesquisador demonstrou como o desmatamento sabota a “bomba biótica” da floresta, que lança diariamente 20 trilhões de litros de água na atmosfera através dos rios voadores, encurtando a janela do milho safrinha para apenas 28 dias e elevando os custos de produção do agronegócio a patamares economicamente insustentáveis. Como saída, o professor defendeu o uso de bioinsumos, sistemas de Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF) e o mercado regulado de carbono para posicionar o produtor como o guardião da própria chuva.


Fotos: Luana Acácio e Elias Fernandes


Mesa-redonda debate agronegócio e estratégias de mitigação


O painel coletivo do dia reuniu especialistas para debater a relação entre a produção agrícola e a sustentabilidade no sul da Amazônia. O pesquisador Leandro Dênis Battirola (INPP) abordou as estratégias de adaptação e mitigação climáticas na Amazônia Meridional. Fabiano André Petter (UFMT), por sua vez, falou sobre como associar a produtividade das lavouras à conservação do estoque de carbono no solo regional. 


A busca por matrizes sustentáveis foi defendida pela pesquisadora Roberta Martins Nogueira (UFMT), que detalhou o potencial e os desafios do desenvolvimento de culturas bioenergéticas no sul da Amazônia. Complementando o debate, o pesquisador Carlos Antonio da Silva Junior (Unemat) demonstrou como as ferramentas avançadas de sensoriamento remoto servem de suporte tecnológico indispensável para viabilizar um agronegócio sustentável e monitorado.


A manhã de sexta-feira também contou com o Seminário de Integração em Ciência e Tecnologia, com exposições e minicursos. O encerramento do dia mobilizou os participantes em uma sessão de banners voltada à apresentação de resumos científicos, permitindo a troca de experiências entre estudantes e pesquisadores seniores.

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