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“Ciência com propósito”: Simamca retorna a Sinop com apelo por soluções práticas para a Amazônia Meridional

Foto: Luana Acácio
Foto: Luana Acácio

O VIII Simpósio da Amazônia Meridional em Ciências Ambientais (VIII Simamca) teve início nesta quarta-feira (10/6), em Sinop (MT), reunindo pesquisadores e sociedade para debater os desafios da região. Com o tema “Conexões Amazônicas”, o evento marca o aguardado retorno do importante fórum científico do norte mato-grossense, focado em atrelar a biodiversidade ao desenvolvimento sustentável e à formulação de políticas públicas.


O destaque do primeiro dia no Centro de Eventos Dante Martins de Oliveira foi a palestra magna de Henrique dos Santos Pereira, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). A conferência esmiuçou a aplicação da Agenda 2030 nos municípios da Amazônia Legal, jogando luz sobre as complexas desigualdades intrarregionais que historicamente atuam como obstáculos para o avanço das metas globais de sustentabilidade no território.


Durante sua fala, o diretor demonstrou, por meio de mapas e indicadores, como o progresso socioambiental varia drasticamente entre os 773 municípios da Amazônia Legal, colocando cidades do norte de Mato Grosso no “pelotão da frente” do desenvolvimento, enquanto o interior de estados como o Amazonas enfrenta severas dificuldades estruturais.


Pereira ressaltou que a verdadeira transformação do bioma depende diretamente da descentralização das políticas públicas e do engajamento ativo das prefeituras para reverter o cenário crítico de áreas como a educação. Segundo o cientista, o papel dos gestores municipais é o principal motor para que as metas globais se traduzam em realidade no território, apontando que, das “169 metas da agenda 2030, 110 necessariamente requerem a atuação do governo local”.


Palestras e mesas redondas acontecem no no Centro de Eventos Dante Martins de Oliveira.

Fotos: Luana Acácio e Elias Fernandes


Abertura cobra ciência em rede e ação prática


Antes da conferência, a cerimônia oficial de abertura foi marcada por apresentações artísticas e pela composição da mesa de autoridades, que reforçaram a necessidade de um diálogo multidisciplinar. A mesa foi composta por Marluce Aparecida Souza e Silva, reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); Elton Brito Ribeiro, pró-reitor da UFMT no campus de Sinop; e Domingos de Jesus Rodrigues, coordenador geral do VIII Simamca. Também integraram o dispositivo Leandro Dênis Battirola, diretor do Instituto Nacional de Pesquisas do Pantanal (INPP); Rafael Martins Chaves, diretor geral do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), no campus Sinop; Júlio César Beltrame Benatti, diretor da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) no município; e Henrique Pereira, diretor do Inpa.


Participaram ainda Pompílio Paulo Azevedo Silva Neto, promotor de justiça da 3ª Promotoria de Justiça Cível de Sinop; Cláudia Morosi Czarneski, secretária de Políticas e Programas Estratégicos do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI); Fabíola Siqueira de Lacerda, coordenadora técnica da Coordenação dos Programas de Pesquisa em Ecologia e Biodiversidade (Coebi) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq); e Rúbia Naves, secretária de Meio Ambiente da Prefeitura de Sinop. O grupo contou também com Amadeu Rampazzo Júnior, representando a União das Entidades do município; Gabriel Conter de São José, representando a Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) do Mato Grosso; e Cleiton Marino Santana, superintendente representando o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso (Seciteci).


Em sua fala, a reitora da UFMT, Marluce Silva, exaltou a parceria com o INPA, alertando que a Amazônia não termina onde o Cerrado começa. Ao celebrar a retomada de obras de infraestrutura para a pesquisa no campus de Sinop, ela cobrou uma atuação científica em rede. “Fazer ciência aqui é um ato de responsabilidade civilizatória. A Amazônia Meridional é, sem dúvida, um dos territórios onde a ciência é mais necessária”, afirmou a reitora.


Coordenador do simpósio, o professor Domingos Rodrigues utilizou a metáfora de um pássaro de gaiola aberta para cobrar coragem da comunidade acadêmica. Ele alertou que as severas mudanças climáticas, as queimadas e os conflitos territoriais na região já não permitem que a pesquisa fique restrita à teoria. Para o docente, o conhecimento exige assumir responsabilidades práticas.


Rodrigues reforçou que o fórum é um espaço de resistência e de encontro entre a academia, a tecnologia e os povos tradicionais. Ele instigou os participantes a deixarem o papel de espectadores para assumirem o protagonismo. “A Amazônia não precisa apenas de mais dados. Ela precisa de decisões, de compromisso, de ciência com propósito”, cravou o pesquisador, convocando todos à ação.


Marco de resiliência acadêmica


A oitava edição representa um marco de resiliência da comunidade acadêmica após um longo hiato provocado, principalmente, pela pandemia de Covid-19. Como o simpósio não ocorria desde 2018, o seu retorno mobiliza pesquisadores de diversas instituições em um esforço conjunto para rearticular e fortalecer a pesquisa ambiental no norte do estado.


O encontro reforça um legado que começou de forma pioneira em 2006 e evoluiu para o maior polo de debates ambientais da região. Ao longo de duas décadas, o Simamca se consolidou como uma ferramenta vital para a troca de saberes, traduzindo a ciência de ponta em soluções concretas para a conservação e o uso sustentável do ecossistema amazônico.

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