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Na China, cientista do Biochronos revela que desastre do Rio Doce impulsionou espécies invasoras de minhocas

A pesquisadora Yumi Oki durante sua fala na Henan Agricultural University. Foto; reprodução
A pesquisadora Yumi Oki durante sua fala na Henan Agricultural University. Foto; reprodução

A pesquisadora Yumi Oki, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Centro de Conhecimento em Biodiversidade e do projeto Biochronos da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), apresentou na última sexta-feira (26/6), na China, os impactos do rompimento da barragem de Fundão sobre as comunidades de minhocas da bacia do Rio Doce. A apresentação ocorreu na Henan Agricultural University e revelou que o desastre ambiental afetou diretamente o desenvolvimento das espécies nativas, permitindo que espécies invasoras passassem a representar cerca de 30% das minhocas registradas na região.


Financiado pela Fundação Renova e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), o estudo evidenciou os efeitos negativos e de longo prazo dos rejeitos de mineração sobre a fauna do solo. Os pesquisadores verificaram que a ocorrência das espécies nativas está fortemente associada a solos férteis e preservados. Nas áreas impactadas pelo rejeito, contudo, o desenvolvimento desses organismos foi gravemente comprometido pelas alterações nas características da terra.


Os resultados apresentados pela cientista brasileira chamaram bastante a atenção da plateia de cientistas e estudantes da instituição chinesa. O forte interesse do público acadêmico local ocorreu porque algumas das espécies invasoras registradas nas áreas afetadas pela barragem de rejeitos no Brasil são, na verdade, espécies encontradas comumente na China. O dado gerou debates sobre o comportamento e a dispersão desses organismos exóticos em ambientes severamente degradados.


Com base no diagnóstico, o estudo recomenda estratégias urgentes de manejo para a bacia do Rio Doce, focadas na melhoria da qualidade do solo para favorecer a recuperação das minhocas nativas. Os pesquisadores defendem o controle e o monitoramento contínuo das populações invasoras, além do estabelecimento de normas e medidas rígidas de biossegurança, necessárias para prevenir o transporte e a introdução acidental de novas minhocas exóticas entre diferentes áreas.

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