Financiamento à ciência e justiça socioambiental marcam o encerramento do VIII Simamca
- Elias Fernandes
- há 21 horas
- 3 min de leitura

O VIII Simpósio da Amazônia Meridional em Ciências Ambientais (Simamca) encerrou suas atividades neste sábado (13/6), promovendo um diálogo direto entre a academia, gestores públicos e a sociedade civil organizada em Sinop (MT). O último dia do evento, realizado no Centro de Eventos Dante Martins de Oliveira e na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), foi marcado por uma imersão completa em conservação, inovação e justiça socioambiental.
Após um hiato agravado pela pandemia da Covid-19, o simpósio retornou este ano sob o tema "Conexões Amazônicas: Ciência, Biodiversidade e Sustentabilidade". O encerramento oficial coroou uma trajetória de duas décadas de evolução, iniciada em 2006, com 150 participantes, e que hoje atua em paralelo com a 8ª Reunião Anual do Programa de Pesquisas em Biodiversidade da Amazônia Ocidental (PPBio-AmOc) e do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Centro de Estudos Integrados da Biodiversidade Amazônica (INCT-Cenbam).
O evento prestou uma homenagem histórica com a criação da Medalha de Pesquisador Destaque Rosália Aguiar. A honraria foi entregue à própria professora Rosália Aguiar, uma das fundadoras do Simamca, em 2006, em reconhecimento à sua trajetória na consolidação da pesquisa ambiental na região. A premiação passa a integrar o calendário oficial do simpósio para condecorar os principais nomes da ciência local.
Turno da manhã discute ciência cidadã, inclusão e políticas públicas
As atividades do último dia começaram cedo, com foco na democratização do conhecimento. A pesquisadora Antonia do Socorro Pena da Gama, da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) e da Sociedade de Pesquisa e Proteção Ambiental (Sapopema), abriu a manhã discutindo os aprendizados e desafios da Ciência Cidadã na Amazônia. Em seguida, Fabio de Oliveira Roque, pesquisador do Centro de Conhecimento em Biodiversidade (Biodiv) e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), abordou a inclusão interseccional como princípio essencial para os programas de pesquisa em biodiversidade.
Ainda na parte da manhã, a terceira mesa-redonda do evento reuniu especialistas para debater ações de conservação prática. Valcemir Souza Oliveira apresentou a realidade da Reserva Extrativista (Resex) Guariba-Roosevelt, enquanto Jakeline Ramos Pereira discorreu sobre os 35 anos de atuação do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon). O painel também recebeu o pesquisador Leandro Juen, da Universidade Federal do Pará (UFPA), que mapeou as vulnerabilidades das Unidades de Conservação na Amazônia Legal, e por Ana Paula Santana da Costa, que detalhou as estratégias da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso (SEMA-MT) e do Programa Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa).
Antes do intervalo para o almoço, as políticas de fomento ganharam destaque institucional. Fabíola Siqueira de Lacerda, representante do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), apontou os desafios de financiamento para pesquisas em ecologia. Logo após, Cláudia Morosi Czarneski, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), apresentou o Plano de Ação de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) em Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos.
Turno da tarde discute ecoturismo e saberes tradicionais
O período vespertino concentrou debates sobre o potencial econômico da floresta em pé por meio da quarta mesa-redonda do simpósio, dedicada ao turismo sustentável. A pesquisadora. Salli Baggenstoss, da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat), abriu o bloco tratando da observação de aves no ecótono Cerrado-Amazônia, seguida por Thadeu Sobral, pesquisador da UFMT, que abordou o uso de borboletas e herpetofauna no setor.
A competitividade para pequenos negócios foi tema da palestra de Camila Souza de Andrade, do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Mato Grosso (Sebrae-MT), enquanto a conservação de mamíferos foi integrada ao turismo pela pesquisadora Liliam Patrícia Pinto, da Unemat. Kamila Prado, da ONF Brasil, encerrou o painel conectando a pesquisa científica diretamente ao desenvolvimento do ecoturismo regional.
O encerramento dos debates científicos ocorreu com uma mesa-redonda focada nos povos originários e na justiça socioambiental. Com a participação de Eliane Xunakalo Bakairi, da Federação dos Povos e Organizações Indígenas de Mato Grosso (FEPOIMT), e da pesquisadora Glenda Rafaela de Sousa Quirino, do MCTI, a discussão reforçou a urgência de proteger os territórios e valorizar os saberes tradicionais.
O VIII Simamca encerrou sua programação oficial no fim da tarde, com as premiações dos resumos e concursos científicos, cujos trabalhos aprovados serão publicados em um número especial da revista científica Scientific Electronic Archives (SEA) da UFMT.