Iniciativas tecnológicas chinesas de IA para saúde mental podem entrar no radar da restauração ecológica
- biodiv2023
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Durante sua visita à China, ocorrida entre junho e julho deste ano, o coordenador-geral do Centro de Conhecimento em Biodiversidade (Biodiv), professor Geraldo Fernandes, esteve em Zhengzhou, na província de Henan, para conhecer instalações focadas em inteligência artificial. Na ocasião, o pesquisador acompanhou o trabalho realizado pela empresa Ke Chuang Liang Da, companhia criada a partir da união de três indústrias de tecnologia do país asiático.
A empresa chinesa desenvolve sistemas baseados em inteligência artificial e visão computacional aplicados ao monitoramento comportamental e da saúde humana. Suas ferramentas são projetadas para identificar, por meio da leitura de expressões faciais e padrões corporais, sinais de estresse, fadiga, alterações comportamentais e depressão, com uso consolidado em corporações, instituições de ensino e forças armadas.
Durante as conversas no local, avaliou-se que a infraestrutura computacional utilizada na análise comportamental poderia ser adaptada para processar dados ambientais complexos. A partir disso, as instituições iniciaram conversas para verificar a viabilidade de aplicar essa capacidade de processamento ao acervo de pesquisas de campo em biodiversidade acumulado pelo Biodiv ao longo de décadas.

Diagnóstico ecológico e combate a reflorestamentos inadequados
O diálogo busca endereçar uma das principais dificuldades enfrentadas na restauração de ecossistemas no Brasil e no mundo. Atualmente, muitos projetos definem a vegetação utilizada com base em critérios de mercado ou na facilidade de cultivo em viveiros, o que frequentemente resulta na introdução de espécies exóticas invasoras e na formação de áreas apenas “pintadas de verde”, desprovidas de biodiversidade real.
Caso as negociações avancem para um acordo formal, a intenção é criar uma plataforma capaz de indicar, de forma personalizada para cada ecossistema do país, as plantas que estruturam de forma mais rápida e eficiente a recuperação ambiental. O sistema também está sendo pensado para detectar sinais precoces de degradação ambiental e identificar “pontos de não retorno” em áreas severamente afetadas.
Além do mapeamento botânico, a ferramenta em discussão poderá servir como suporte técnico para a implementação nacional da “Blue List”, a Lista Azul de Ecossistemas, iniciativa voltada à conservação de áreas preservadas. As reuniões em Zhengzhou contaram com a participação da professora Jia Hongru, da Henan University of Finance and Economics, integrando a perspectiva acadêmica às conversas em andamento.



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