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Parceria entre Centro de Conhecimento em Biodiversidade, UFMG e Henan Agricultural University mapeia risco de bioinvasão na rota da soja

Wang Hang e Niu Liyuan, estudantes intercambistas chineses. Foto: Elias Fernandes
Wang Hang e Niu Liyuan, estudantes intercambistas chineses. Foto: Elias Fernandes

Uma cooperação científica entre a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Henan Agricultural University investiga os riscos de invasão biológica na rota do comércio de grãos entre o Brasil e a China. Articulada pelo Centro de Conhecimento em Biodiversidade (Biodiv), a parceria busca identificar sementes de plantas daninhas e pragas presentes nas lavouras brasileiras que podem viajar ocultas em navios cargueiros de soja e se alastrar pelo ecossistema asiático.


Para viabilizar o diagnóstico em solo brasileiro, a aliança promoveu o intercâmbio de dois pesquisadores chineses, o doutorando Wang Hang e o mestrando Niu Liyuan, que cumprem uma missão de um mês no país. Entre os dias 3 e 7 de agosto, foi realizada a primeira  expedição ao longo de rodovias nos municípios de Unaí, Cabeceira Grande e Paracatu (MG) para analisar como as margens das estradas atuam como corredores de dispersão vegetal rumo às lavouras. Novas expedições estão planejadas para a época do plantio da soja em vários pontos do Brasil.


A equipe percorreu áreas para identificar, contar e fotografar as espécies com potencial invasor. “Atualmente, já realizamos no Brasil levantamentos por parcelas amostrais de plantas invasoras nas proximidades de plantações de soja e às margens de rios. Esperamos oferecer uma contribuição para o trabalho de prevenção e controle de espécies vegetais invasoras, tanto na China quanto no Brasil”, ressalta o doutorando Wang Hang.


Trabalho de campo realizado no interior de Minas Gerais. Fotos: Wang Hang e Gabriel Arvelino de Paula


Estratégias de biossegurança e cooperação acadêmica


Os dados obtidos em Minas Gerais integram as ações do Centro Conjunto Brasil-China de Biodiversidade (Joint Lab), apoiado pelo Instituto de Ciências Biológicas (ICB/UFMG) sob a liderança do professor Geraldo Wilson Fernandes (UFMG), coordenador-geral do Biodiv. O objetivo central é criar barreiras de biossegurança em três frentes: controle fitoquímico e manejo preventivo nas lavouras brasileiras, aprimoramento da limpeza mecânica dos grãos e rigor na interceptação alfandegária nos portos chineses.


O monitoramento prioriza espécies de alta agressividade reprodutiva e difícil controle, como o capim-pé-de-galinha, o capim-amargoso e o caruru, capaz de produzir até 200 mil sementes por indivíduo. “A soja que cresce nos campos brasileiros coexiste com outras plantas. Quando é colhida e chega à China, pode vir acompanhada de sementes e ovos de insetos que acarretam riscos de invasão biológica. Nosso objetivo é identificar com precisão quais plantas representam esse risco”, explica o estudante e pesquisador Niu Liyuan.


A programação dos pesquisadores em Minas Gerais incluiu também a palestra “Invasive Plants and Their Ecological Impacts in the North-South Transition Zone of Western Henan Province”, ministrada no ICB/UFMG no dia 14 de agosto, além de expedições à Serra do Cipó e visitas às instalações do Biodiv. A iniciativa consolida a cooperação científica entre os dois países e estabelece parâmetros técnicos para proteger a produção agrícola e os ecossistemas naturais de ambas as nações.

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