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Estudo propõe estratégia nacional para mitigar impactos de espécies invasoras na biodiversidade brasileira


Schefflera arboricola, a "cheflera", uma espécie invasora. Foto: Brisa Marciniak
Schefflera arboricola, a "cheflera", uma espécie invasora. Foto: Brisa Marciniak

Um novo artigo científico, publicado na revista Perspectives in Ecology and Conservation, apresenta um diagnóstico crítico e um plano de ação para a gestão de espécies exóticas invasoras no Brasil. O estudo alerta que, em um país megadiverso, a ausência de uma estratégia unificada frente a essa ameaça biológica compromete não apenas o patrimônio natural, como também impõe riscos severos à estabilidade econômica e à saúde pública nacional.


O trabalho foi desenvolvido no âmbito do subprojeto de Invasões Biológicas do Centro de Conhecimento em Biodiversidade, sob a coordenação dos professores doutores Michele Dechoum e Gerhard Overbeck. A publicação consolida o esforço colaborativo de especialistas vinculados a 14 instituições brasileiras e estrangeiras, que buscaram mapear os entraves estruturais que impedem o avanço do manejo eficaz dessas espécies no país.


Do conhecimento à implementação


A pesquisa expõe um paradoxo alarmante na governança ambiental brasileira: embora os impactos deletérios das invasões biológicas sejam amplamente documentados e compreendidos pela academia, o tema permanece periférico nas agendas de decisão governamental. Os autores argumentam que essa negligência em priorizar políticas públicas robustas gera uma vulnerabilidade sistêmica, deixando ecossistemas inteiros desprotegidos contra a perda de biodiversidade.


Desse modo, foi identificada uma carência crítica de coordenação centralizada, de fluxos de financiamento contínuos e, especialmente, de uma integração efetiva entre a produção científica e as demandas da sociedade e dos gestores públicos. Para superar esse cenário de inércia, os pesquisadores delinearam cinco áreas estratégicas de ação, começando pelo estabelecimento de linhas de financiamento específicas para pesquisa e manejo. O plano propõe ainda a criação de um centro nacional de ciência das invasões, uma entidade capaz de orquestrar esforços, otimizar recursos e fomentar a inovação necessária para enfrentar o problema em escala continental.


Além disso, a modernização da infraestrutura de dados é apontada como outro pilar essencial. O artigo sugere o aprimoramento do compartilhamento aberto de informações, visando a interoperabilidade entre os bancos de dados brasileiros e as plataformas internacionais. Essa integração é vital para fortalecer as redes de vigilância e permitir respostas rápidas a novas detecções de espécies invasoras.


Algumas espécies invasoras no Brasil: a tilápia (Oreochormis niloticus); e a castanheira (Terminalia catappa);

e o pinheiro-americano (Pinus eliottii). Fotos: Instituto Hórus e Gerhard Overbeck


“Uma Só Biossegurança”


No campo educacional, a proposta é incisiva quanto à necessidade de reformulação curricular. Os autores recomendam a incorporação formal da ciência das invasões nos currículos acadêmicos e técnicos, visando a formação de capital humano qualificado. O objetivo é preparar uma nova geração de profissionais aptos a lidar com a complexidade técnica e social que o manejo de espécies exóticas exige.


O estudo também advoga pela integração da biossegurança a agendas políticas macro, seguindo os princípios de “Uma Só Biossegurança”. Ao alinhar pesquisadores, legisladores e sociedade, o Brasil pode construir uma resposta resiliente e baseada em evidências, protegendo os fundamentos socioeconômicos e culturais que dependem diretamente da integridade dos ecossistemas.

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