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Risco iminente de um mundo monótono

Em carta recém-publicada na Science, pesquisadores do Centro abordam emergência da diversidade para a restauração ecológica


O plantio de eucaliptos, amplamente utilizado como restauração, não oferece o serviços ecossistêmicos que caracterizam a prática. Diversidade de espécies nativas é fundamental para evitar homogeneização ambiental.

A proteção das áreas naturais não é suficiente para salvar o planeta do caos. É necessário, também, restaurar áreas que foram degradadas ao longo da história. A restauração passou a ser tão importante que a ONU declarou esta década como a Década da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Essa importância foi percebida por diversos países, que se comprometeram a restaurar milhões de hectares degradados. Toda essa área somada chega a 1 bilhão de hectares, o que equivale ao tamanho do Canadá, uma área ainda maior do que o Brasil!


Porém, ainda há muito por fazer. O conceito de restauração ecológica ainda é muito recente. Antes da década de 1980 pouco ou nada se falava a respeito. Com isso, ainda existem grandes lacunas de conhecimento sobre como restaurar áreas com tamanha biodiversidade, como é o caso do Cerrado, dos campos e florestas tropicais.


A restauração não pode ser vista puramente como o esverdeamento de uma área. Da forma como a restauração de áreas degradadas vem sendo feita no Brasil, perderemos os ecossistemas como os conhecemos hoje. Isso porque os projetos de restauração atuais têm utilizado um padrão para todo tipo de ecossistema, com pouca diversidade de espécies. Com isso, não conseguem reproduzir as condições próximas das que existiam nessas áreas antes da degradação, tornando homogêneas regiões que antes eram biodiversas.

 

As espécies escolhidas para restaurar costumam ser aquelas que germinam rápido, contribuem para a fertilidade do solo e, sobretudo, estão disponíveis em viveiros e supermercados. Como resultado, estamos de fato criando ecossistemas homogêneos e com baixa diversidade, o que compromete a produção de serviços ecossistêmicos importantes, como água, polinização, etc.


Área de restinga antes e após a eliminação de pínus invasores no Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição (SC). Foto: Michele Dechoum

Em uma publicação na mais prestigiosa revista da ciência mundial, a Science, pesquisadores do Centro de Conhecimento em Biodiversidade chamaram a atenção para a necessidade de uma restauração heterogênea.


Os autores defendem que a restauração precisa considerar as características de cada área a ser restaurada e priorizar uma maior diversidade de espécies de plantas. Os cientistas ressaltam a importância de criar cadeias de produção de sementes, assim como conhecimento científico sólido sobre as espécies que compõem cada um dos ecossistemas que formam nossos campos e florestas.



Edição de janeiro da Science traz alerta de pesquisadores do Centro sobre restauração ecológica.


Uma das estratégias apontadas pelos pesquisadores é reforçar o uso de ecossistemas de referência. Esses ecossistemas são áreas nativas, próximas aos locais que se pretende restaurar, que podem fornecer informações importantes para guiar a restauração das áreas degradadas. Quando restauradas corretamente, essas áreas contribuem mais rapidamente e eficientemente para a conectividade entre os ecossistemas. Elas funcionam como espelhos para guiar todo o processo e, ainda, fornecem sementes, polinizadores e dispersores de sementes durante a restauração.


Áreas nativas devem servir de referência para orientar a restauração dos ecossistemas. Foto: Lucas Sandonatto/WRI Brasil

Se as práticas de restauração não forem capazes de restabelecer a biodiversidade encontrada nas áreas de referência, a restauração não alcançará seus objetivos. Uma situação pior é a perda destes ecossistemas nativos. Assim, os fragmentos de ecossistemas devem ser protegidos a qualquer custo.


Somente a restauração com espécies nativas pode promover mais rapidamente a conectividade do ambiente e promover a correta recomposição de nascentes, espécies de animais e plantas e os benefícios que os ecossistemas podem fornecer para um desenvolvimento verdadeiramente sustentável.


Acesse a publicação na revista Science clicando aqui.


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