MG atualiza lista de espécies ameaçadas, sob coordenação científica do professor Geraldo Fernandes
- Elias Fernandes

- 6 de abr.
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O Instituto Estadual de Floresta (IEF) de Minas Gerais lançou, nesta terça-feira (31/3), o projeto de atualização das Listas Vermelhas da Fauna e Flora Ameaçadas de Extinção. Apresentada no Museu de Ciências Naturais da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC Minas), a iniciativa funciona como um instrumento técnico para orientar o licenciamento ambiental e o uso do território no estado. O objetivo central é atualizar quais animais e plantas estão em risco, onde vivem e como devem ser efetivamente protegidos.
Com duração prevista de 30 meses, o trabalho utilizará a metodologia da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) para classificar o grau de risco das espécies de fauna e flora no estado. A iniciativa busca atualizar os diagnósticos ambientais mineiros e identificar lacunas de conhecimento, fornecendo rigor técnico e científico para orientar as políticas de conservação e o planejamento territorial. Dessa forma, pretende-se qualificar a tomada de decisões tanto para a proteção da biodiversidade quanto para a gestão do território.
À frente da produção desse novo diagnóstico está o professor Geraldo Wilson Fernandes, coordenador-geral do Centro de Conhecimento em Biodiversidade (INCT/CNPq/MCTI). Segundo o pesquisador, a atualização é aguardada com ansiedade, visto que a última versão do documento foi publicada há 15 anos e já não reflete a realidade da fauna e flora mineiras. O professor ressalta que o rigor técnico é o pilar do projeto para orientar decisões estratégicas: “Esperamos, ao final do processo, entregar para a população e para os tomadores de decisão uma lista atualizada, com embasamento forte no conhecimento científico”, afirmou.
O professor Geraldo Fernandes (quinto da esquerda para a direita) e demais autoridades durante evento de lançamento das "Listas Vermelhas". Foto: Luisa Ranieri
Ciência e reparação ambiental
Essa atualização das listas é considerada urgente, diante de um cenário onde a taxa de extinção global pode ser até 100 vezes superior à média histórica, com cerca de 14% das espécies do planeta sob risco. Em Minas Gerais, a situação é crítica para espécies endêmicas, cujo desaparecimento no território estadual significa a extinção total do planeta. Nesse sentido, o mapeamento permitirá identificar áreas prioritárias e frear perdas biológicas em grupos vulneráveis, como anfíbios e árvores de biomas pressionados, a exemplo do Cerrado.
O financiamento do projeto, orçado em cerca de R$ 4,7 milhões, provém dos recursos do acordo judicial de reparação pelo rompimento da barragem em Brumadinho, ocorrido em 2019. Representantes de atingidos, como a Avabrum, destacam que o uso desses recursos para catalogar e proteger a vida é uma etapa essencial do processo de cuidado com o meio ambiente, que também foi vítima da tragédia. Além da reparação direta, a execução técnica conta com o suporte de especialistas para garantir a autonomia do conteúdo científico.
Ao final dos trabalhos, o projeto vai entregar um sistema online aberto ao público e guias práticos que facilitarão a consulta sobre a fauna e flora mineiras. Na prática, o novo mapeamento deve alterar a forma como empreendimentos são aprovados, direcionando investimentos para onde a preservação é mais urgente. Exemplos recentes, como a criação da Reserva de Desenvolvimento Sustentável no Norte de Minas e a translocação de muriquis-do-norte, demonstram como o diagnóstico preciso coordenado pelo Centro é capaz de gerar ações concretas para salvar espécies em risco iminente no estado.







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