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Degradação do cerrado: o novo Eldorado do agronegócio

Um estudo publicado na Scientific Reports calcula que o desmatamento da savana mais antiga e biodiversa do mundo poderia ser limitado colocando 30% dos terrenos maiores que 2.500 hectares sob proteção. Pressão do agronegócio é 5 vezes maior no Cerrado do que na Amazônia


Publicado originalmente no portal italiano Rinnovabili.it em 27 de fevereiro de 2024.


Em 2023, degradação do Cerrado aumentou 43%. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).

Embora a chegada de Lula ao poder em 2023 tenha revertido decisivamente o curso do desmatamento na Amazônia, a situação continua a piorar para o outro ecossistema precioso do Brasil. A degradação do Cerrado, a savana mais antiga e biodiversa do planeta, marca preocupantes +43% no ano passado. No espaço de 12 meses, 7.828,2 km2 de bioma desapareceram, mais de 40 vezes o tamanho da cidade de Milão. O principal motor é a pressão antrópica, com papel fundamental desempenhado por grandes lotes de terra pertencentes ao agronegócio. Mas, para começar a limitar os danos, bastaria estender as proteções para 30% dessas grandes propriedades.


Como limitar a degradação do Cerrado?


Isso foi calculado por um estudo publicado na Scientific Reports no qual os autores (alguns deles, membros do INCT Centro de Conhecimento em Biodiversidade) cruzam previsões sobre a taxa futura de degradação do Cerrado com o impacto da plena aplicação das normas de proteção ambiental – muitas vezes desconsideradas no Cerrado – em vigor hoje.


Pelo atual Código Florestal, o cerrado brasileiro pode perder 26,5 milhões de hectares de vegetação nativa até 2050 e 30,6 milhões de hectares até 2070, calculam os autores.

Mas essa perda, apontam, "ocorrerá principalmente dentro de grandes áreas de propriedade", como mostra a análise espacial. Para conciliar as necessidades de conservação e produção agrícola, bastaria proteger 30% da superfície das propriedades com mais de 2.500 hectares: "evitaria a perda de mais de 4,1 milhões de hectares de vegetação nativa, correspondendo a 13% da perda esperada até 2070".


É justamente a pressão do agronegócio que está impulsionando a degradação do Cerrado. Muito mais acentuadamente do que na Amazônia. Isso é explicado por um relatório recente da Global Witness que foca no impacto das três maiores empresas de pecuária e produção de carne que operam no país: JBS, Marfrig e Minerva.


No estado de Mato Grosso, que abrange a Amazônia e o Cerrado, as atividades causam 5 vezes mais destruição de ecossistemas na savana do que na floresta tropical. "42,8% das fazendas de gado no Cerrado, que abastecem as três fazendas de carne, incluem terras desmatadas, em comparação com apenas 9,7% das fazendas na Amazônia", aponta o relatório da ONG. E, na grande maioria dos casos, o desmatamento ocorreu contra as leis vigentes.

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